6.1.1 - A
formação do mestre ou doutor deve se estabelecer basicamente em três pilares
ideológicos:
i.
Formação profissional (ensino e aprendizagem para a
aquisição de capacidades e competências técnicas dependentes de contexto - área
do conhecimento específica);
ii.
Formação científica (acesso ao conhecimento e aos
métodos para a sua construção);
iii.
Formação do cidadão, dentro de um contexto de estímulo
à tomada de consciência do estudante em
relação à forma em que a História, o contexto pessoal e o contexto
social determinam o sujeito, estímulo à
consciência social.
No Brasil, durante o século XIX, o currículo escolar
era marcado predominantemente pela tradição literária e clássica herdada dos
jesuítas.
Apesar do incentivo de dom Pedro II, e de discursos
positivistas de intelectuais brasileiros em favor da ciência, como Rui Barbosa,
o ensino de ciências teve pouca prioridade no currículo escolar.
Nos anos de 1930, começou um processo de busca de sua
inovação. Processo esse que teve início com um de atualização curricular e
depois continuou com a produção de kits de experimentos na década de 1950,
culminando com o início da produção de materiais por educadores brasileiros na
década de 1970. Cita a partir dos anos de 1970 que teve início efetivo a
pesquisa na área de educação em ciências no Brasil.
Historicamente podemos referenciar William Sharp (2*) como o
primeiro professor de ciências em uma escola pública britânica. Sharp
estabeleceu a disciplina de Ciência para o currículo na escola de Rugby em
1850. É citado como o desenvolvedor do modelo para o ensino de Ciência nas
Escolas Públicas britânicas. Esse episódio pode ser considerado como embrião da
educação científica do mundo.
Nos EUA, a educação a ciência, e consequentemente a
educação científica, era um tema muito dispersa antes de sua padronização na
década de 1890. E o desenvolvimento de um currículo de ciências nesse país foi
emergindo gradualmente após extenso debate entre duas ideologias, ciência
cidadã e formação pré-profissional. Neste pilar se perpassa os currículos
escolares e as mediações pedagógicas na
interação professores-estudantes esperadas durante o espaço-tempo
do estudante na Universidade.
Dentro de uma visão de formação, a Universidade
Pública, e as organizações privadas de ensino, em seu sentido mais profundo,
devem ser entendidas como uma entidade
que tem por dever prestar serviço à sociedade em que ela se situa. Este
compromisso da Educação em geral e da Universidade Pública em particular, e da
privada em geral envolve o indivíduo pautado pela cidadania; a vida coletiva
pautada pela democracia, que tem sua
gênese na ética da solidariedade entre os homens. A dignidade humana exige que se garanta a
todos os homens compartilhar dos bens naturais, dos bens sociais e dos bens
culturais. O que se espera é que nenhum ser
humano seja degradado no exercício do trabalho, seja oprimido em suas
relações sociais ao exercer sua
cidadania ou seja alienado – excluído – dos bens simbólicos na vivência cultural.
Associados a estes pilares, a Universidade Pública, gratuita e as
privadas tem como alicerces
indissolúveis o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Enquanto o Ensino e a Pesquisa se referem
diretamente os pilares da Formação
profissional e da Formação científica, respectivamente, a Extensão vai
além do estímulo à conscientização, no
intuito da prática de intervenções sociais capazes de promover a justiça social. No âmbito universitário, a educação precisa
ter na Pesquisa o ponto de apoio das outras
duas atividades (Ensino e Extensão).
De modo geral, a Educação pode ser conceituada como “o
processo mediante o qual o conhecimento
se produz, se reproduz, se conserva, se sistematiza, se organiza, se transmite e se universaliza, disseminando
seus resultados no seio da sociedade”. Professora. Laura Sánchez García(2014)
sugere que “...a tradição cultural
brasileira privilegia o papel do Ensino das universidades”. No entanto, e apesar da relevância desta
atribuição, em momento algum deve ser
deixado de lado o papel da Universidade na produção do conhecimento científico, processo que constitui o alicerce principal.
A distinção entre as funções de Ensino, Pesquisa e Extensão é meramente
uma estratégia operacional, pois não é
possível conceber Ensino sem produção de
conhecimento nem Extensão sem o seu papel de articulador do Ensino e da
Pesquisa aplicados à sociedade.
Em nossa cultura, o processo de conhecer, específico do
ser humano, está profundamente vinculado à escola, componente básico do sistema
educacional, em nosso país.
O nosso sistema educacional, por sua vez, no que se
refere à escola, compreende os graus: primeiro inicial; segundo médio,
profissionalizante ou técnico; terceiro superior, com a função ambígua de
profissionalização.
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